Até quem ama cinema cult precisa de um blockbuster no Dia dos Namorados!

“Entre Montanhas” é o equilíbrio perfeito entre monstros, adrenalina e romance leve.

YASMIN PEDROSA

jun 11, 2026


Quem acompanha minha curadoria por aqui sabe: costumo gravitar em torno de um cinema mais denso, intelectualizado e cheio de camadas, bem longe do apelo comercial. No entanto, isso não tira o mérito dos blockbusters no que eles entregam de melhor: o puro entretenimento. E, afinal, é Dia dos Namorados! Nada melhor que um romance leve, temperado com ação e criaturas misteriosas, para aquecer a data.

É por isso que hoje escolhi falar de “Entre Montanhas”, um filme que nasceu para atender a um público bem específico: quem curte ficção científica com monstros, adrenalina e bons efeitos visuais, mas dispensa a violência extrema ou o gore brutal.

A atmosfera da produção me remeteu imediatamente a dois universos que figuram entre os meus favoritos do gênero: “The Last of Us” e “Aniquilação”. Mas, ainda que a inspiração flutue por ali, a trama constrói uma mitologia própria e original, desaguando em um desfecho solar — um final feliz marcado por um ato heroico compartilhado pelos protagonistas.

O grande motor dessa história é o romance quase impossível entre Drasa (Anya Taylor-Joy) e Levi (Miles Teller), dois atiradores de elite incumbidos de vigiar, em torres opostas, um desfiladeiro em uma região inóspita e cercada de mistérios.

Quebrando qualquer protocolo, os dois começam a se comunicar à distância, desenvolvendo uma conexão genuína em meio ao isolamento. Embora a aproximação física pareça impossível, Levi — o último dos românticos — encontra uma forma totalmente inusitada de atravessar o abismo até a torre oposta. Essa construção lenta de expectativa é magnética; a narrativa nos prende na cadeira, gerando uma torcida genuína pelo ápice desse romance.

E quando esse encontro finalmente acontece, no timing perfeito, somos presenteados com uma das sequências mais lindas e delicadas do cinema recente.

O grande trunfo do texto, no entanto, é como ele brinca com as nossas expectativas. A reviravolta surge justamente quando tudo parecia ter dado certo e Levi precisa iniciar seu retorno: a dinâmica muda drasticamente, arremessando o casal em direção a um perigo mortal (e é aí que a ficção científica de criaturas mostra a que veio).

Aqui, vale a pena apontar alguns contrastes interessantes. Um dos pontos que aproximam essa narrativa de “Aniquilação” é o perfil dos personagens: os escolhidos para a missão são indivíduos sem laços afetivos ou grandes motivos para continuar vivendo. No longa de 2018, esse destino melancólico é inescapável. Já em “Entre Montanhas”, embora as precondições sejam exatamente as mesmas, essa realidade se transforma completamente no momento em que os protagonistas se conectam.

Da mesma forma, ao contrário de “The Last of Us” — que mergulha em um ciclo de violência aparentemente inevitável —, aqui a dinâmica é outra. A decisão pessoal de dois profissionais de elite de desobedecer às ordens institucionais acaba cortando o mal pela raiz, resolvendo a ameaça na origem, sem causar maiores danos colaterais à sociedade.

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