ago 25, 2025

Há cerca de um ano, o filme “A Substância” dominou as conversas na internet. Passado o hype, decidi revisitá-lo para compartilhar minhas impressões. A primeira delas é que a experiência de assisti-lo, aos 35 anos, me deixou com a incômoda sensação de que meu prazo de validade está próximo de “vencer”.
Superada essa primeira impressão, pude apreciar a qualidade da obra. A plástica do filme é excelente: convergente e ousada. As inúmeras homenagens ao trabalho do mestre Kubrick são inegáveis, e a trilha sonora contribui para a atmosfera de suspense, que cresce de forma magistral até culminar no horror escatológico do final. O roteiro é brilhante. A maneira como a narrativa se desenvolve prende a atenção e a atuação de Demi Moore, que demonstra o ápice de sua maturidade profissional, é um espetáculo à parte.
No entanto, discordo veementemente de que se trata de uma obra de cunho feminista. A diretora adota uma perspectiva que representa o status quo e, de forma fetichista, expõe os danos do etarismo sob a lente de um olhar masculino. No fim das contas, o sofrimento é inerente; não há força moral ou resistência real. O que vemos é um retrato frágil, muito distante do que se espera de uma figura empoderadora, e que não reflete a experiência da grande maioria das mulheres.
Ainda assim, “A Substância” gera uma reflexão interessante sobre amor-próprio, e o incômodo que provoca reside na forma como questiona nossa própria autoimagem.
Nesse ponto, faço uma comparação com o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles. A história de Eunice Paiva é muito mais feminista e empoderadora para as mulheres, pois retrata a força e a resistência de uma mulher real diante do sofrimento. Enquanto “A Substância” se perde em uma representação mais estética e superficial, o filme de Walter Salles nos lembra que o empoderamento real não está na perfeição, mas na capacidade de lutar e resistir.
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Até a próxima!
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