Entre a maturidade artística e o transe coletivo, uma obra-prima audaciosa que desafia as regras do gênero.
jun 02, 2026

Michael B. Jordan, definitivamente, não é só um rostinho bonito no cinema; ele é um ator que entrega atuações viscerais e personagens marcantes. E, aparentemente, a alquimia do ator com a direção de Ryan Coogler é um sucesso de longa data, marcado por trabalhos como “Fruitvale Station” (2013), “Pantera Negra” (2018) e “Creed” (2015), fazendo do trabalho em “Pecadores” o registro de uma parceria que atingiu o ápice da maturidade artística. Entre a crítica, o thriller é visto como a obra-prima da carreira de Ryan Coogler, que já coleciona um currículo repleto de realizações de alto nível.
Para quem curtia “Um Drink no Inferno” (1996), filme escrito pelo aclamado Quentin Tarantino e dirigido por Robert Rodriguez, “Pecadores” bebe dessa referência, só que com um conceito estético muito mais sofisticado, além de apresentar personagens tridimensionais, complexos e que enfrentam dilemas morais profundos.
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O blues serve como pano de fundo e a trilha musical, assinada por Ludwig Göransson, faz jus ao gênero, pois é magistral. Minha cena favorita da história do cinema, tranquilamente, é aquela em que Sammy toca, rompendo o limiar entre o passado, o presente e o futuro. É nela que vemos um sincretismo sobrenatural ocorrer, com batidas de tribos africanas, hip-hop e R&B… É de arrepiar! Uma força musical que nos faz querer saltar da cadeira para dançar junto.
Não é à toa que “Pecadores” marcou a história do Oscar, com inéditas 16 indicações na 98ª edição da premiação. Há quem diga — haja vista o hiato de mais de 30 anos após “O Silêncio dos Inocentes” (1991), de Jonathan Demme — que a Academia tem uma tradição de não premiar com a estatueta de melhor filme os thrillers do gênero terror.
A disputa com “One Battle After Another”, que saiu como o grande vencedor da edição, é acirrada até mesmo para olhos menos treinados. Inequivocamente, trata-se de roteiros fortes, com estéticas audaciosas, que, no fim das contas, justificam um certo nível de indecisão.
Seja como for, é impossível ignorar que “Pecadores” é o mais puro creme do absolute cinema, reunindo qualidades estéticas deslumbrantes, ricas em referências às culturas ancestrais.
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