Antes de o thriller “A Hora do Mal” (2025) ganhar os holofotes no Oscar, Zach Cregger já vinha sendo cultuado por outro trabalho visceral: “Noites Brutais”.
mai 24, 2026

Como boa cinéfila, eu tenho uma regra: quando um filme realmente me chama a atenção e me fisga com um estilo único de contar histórias, eu preciso mergulhar no conjunto de obras daquele diretor. Foi exatamente o que aconteceu com Zach Cregger.
Antes de o thriller “A Hora do Mal” (2025) ganhar os holofotes no Oscar — rendendo a Amy Madigan o justíssimo prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação brilhante —, Cregger já vinha sendo cultuado por um outro trabalho visceral: “Noites Brutais” (Barbarian, 2022).
Mantendo o seu já característico estilo de narrativa em blocos, neste thriller de 2022 acompanhamos Tess (Georgina Campbell), uma jovem que viaja à cidade de Detroit para uma entrevista de emprego e acaba alugando um Airbnb em um bairro, para dizer o mínimo, inóspito. Ao chegar, sob uma chuva torrencial, ela descobre que a casa já está ocupada por um estranho.
A grande questão é que Barbarian passa longe de ser apenas mais um terror de sustos fáceis ou um suspense psicológico formulaico. Trata-se de uma narrativa intelectualizada e profundamente engajada.
Assim como em outras obras brilhantes que usam a tensão para desconstruir ilusões sistêmicas — onde já vimos porões servirem de metáfora para o esmagamento de classes e a falácia da meritocracia —, Cregger usa a arquitetura do medo para colocar em pauta conversas extremamente incômodas. O filme escancara o abismo dos privilégios, focando na disparidade estrutural e nas dinâmicas de gênero. Ele contrapõe, de forma brilhante, quem tem o luxo de se sentir seguro andando pelo mundo e quem precisa viver em constante estado de alerta, mapeando rotas de fuga a todo momento.
O verdadeiro monstro aqui, assim como nos grandes suspenses com crítica social, nasce do abandono sistêmico, da negligência e da ilusão de que as regras do jogo são iguais para todos.
Além de todo esse peso temático, a estrutura não linear do roteiro rende surpresas absolutas que subvertem — e até zombam — das nossas expectativas a cada virada de ato. Se você gosta de cinema que te mantém na beira do sofá enquanto provoca reflexões que grudam na cabeça por dias, Barbarian é uma parada obrigatória.
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