YASMIN PEDROSA

Do livro “Da Morte. Odes mínimas”, publicado originalmente em 1967

Talvez eu seja

O sonho de mim mesma.

Criatura-ninguém

Espelhismo de outra

Tão em sigilo e extrema

Tão sem medida

Densa e clandestina

Que a bem da vida

A carne se fez sombra.

Talvez eu seja tu mesmo

Tua soberba e afronta.

E o retrato

De muitas inalcançáveis

Coisas mortas.

Talvez não seja.

E ínfima, tangente

Aspire indefinida

Um infinito de sonhos

E de vidas.

– Hilda Hilst

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