A arquitetura dramática de Thelma e Louise.
jul 24, 2026

Já faz algum tempo que quero escrever sobre “Thelma e Louise”, um clássico de Hollywood dirigido por Ridley Scott, que influenciou muitos outros filmes e obras artísticas. O longa foi lançado em 1991, tem uma pegada de neo-western e é protagonizado por Susan Sarandon e Geena Davis, que vivem Thelma e Louise, duas amigas que resolvem se aventurar em uma viagem e se veem envolvidas em situações-limite, que as conduzem a um final ao mesmo tempo epifânico e trágico.
O filme nos convida a questionar se valia mesmo a pena seguir em uma vida mediana e insatisfatória, contexto do mundo comum das protagonistas, ou viver até o limite, vivendo sensações, experiências, conhecendo lugares, ainda que por um breve período.
O longa também é considerado um clássico da cinematografia western feminista, por retratar uma amizade feminina profundamente leal, além de discutir, e, para a época, com muita coragem, violências de gênero, desde as dinâmicas impostas pelo casamento, o assédio na rua, a violência sexual; em suma, o filme aborda todo o ciclo de violência a que as mulheres são submetidas.
E vale chamar a atenção para o arco da personagem de Louise, que, de dona de casa pacata, torna-se uma viajante aventureira, que assalta educadamente estabelecimentos para bancar sua decisão de se manter firme ao lado de Thelma até o fim, ou pelo menos até chegar ao México, plano que cai por terra (literalmente).

E não só isso, mas seu envolvimento com o personagem vivido por Brad Pitt parece ser a consagração de algo nunca antes vivido; por mais efêmero que seja, é como entender que o amor acontece das formas mais inusitadas e não tem nada a ver com posse.
Outro aspecto que saltou aos meus olhos ao revisitar essa obra foi a fineza do trabalho de fotografia, figurino, produção e direção de arte. São fatores que se encontram em harmonia, construindo um ambiente fílmico coeso e que, ao mesmo tempo, nos entregam quadros lindos, daqueles que tiram o fôlego e nos fazem congelar a imagem para apreciar a magnitude da construção daquele universo.
O filme é, basicamente, sobre a autonomia, buscada inconscientemente por duas mulheres comuns que, a princípio, pretendiam apenas viajar, numa espécie de fuga da prisão do cotidiano e dos relacionamentos abusivos de ambas as personagens, que, no fim, resolvem não ceder a ninguém, tomando o controle total de suas vidas, narrativas e destino. Empoderamento, afinal, é a capacidade de lutar e resistir; nesse sentido, Thelma e Louise consagram a expressão máxima disso.
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